Os alunos, Leonardo de Oliveira Mugnaini, Yohan Donat Passos e Cauã Pedro Eggert do Ensino Médio do Colégio Semeador são finalistas na 23ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE 2025). O projeto do trio foi destaque na Mostra Brasileira de Inovação, Pesquisa Científica e Empreendedorismo (MOPIBE) 2024, utilizando uma tecnologia sustentável, para criar órteses impressas em 3D para o tratamento ortopédico, com o intuito de oferecer mais conforto para a recuperação de fraturas.
O início do projeto e seus desafios
O projeto nasceu de uma experiência pessoal dos próprios alunos com o desconforto do gesso tradicional em tratamentos ortopédicos. “A ideia surgiu em razão das dificuldades enfrentadas por dois integrantes do nosso grupo, após terem usado gesso e constarem o quão ruim era. Pensando nisso, vimos um potencial de projeto que poderia ajudar no projeto oom mais facilidade e menos inconvenientes para o paciente”, explicou Yohan.
No entanto, transformar a ideia em um produto funcional foi o maior desafio para o trio. Leonardo destacou que um ponto essencial era garantir que as órteses tivessem a mesma eficiência das tradicionais de gesso. Para isso, foi necessário realizar uma extensa pesquisa para compreender o mecanismo das fraturas e o processo de imobilização, assegurando a consolidação correta.
“Para entender esses mecanismos nós utilizamos, principalmente, artigos científicos de medicina, literatura ortopédica e realizamos uma entrevista com um médico ortopedista, que nos explicou de maneira didática e prática os detalhes do tratamento das fraturas”, relatou o estudante.
Leonardo também ressaltou a parte técnica como outro desafio do processo, principalmente em relação a fazer o modelo 3D funcionar e calcular o tamanho e a espessura da órtese. “Na primeira vez que tentamos imprimir o projeto-piloto, nós não conseguimos, não deu certo. Então fomos estudar e entender melhor como funcionava o processo de impressão nessas impressoras e só então nos reunimos novamente para realizar a impressão, e dessa vez conseguimos com sucesso!”.
Após várias tentativas, os estudantes superaram os desafios com o apoio do professor orientador Cristian Loch Leith Rolon e da estrutura oferecida pelo Colégio Semeador. “O Colégio nos deu total suporte, com acesso ao laboratório, impressoras 3D e orientação constante. Quando não conseguíamos imprimir o modelo inicial, voltamos para os estudos e ajustamos os parâmetros até conseguir o resultado desejado”, contou Leonardo.
O papel dos plásticos biocompatíveis
Uma das grandes inovações do projeto foi o uso de Ácido Polilático (PLA), um plástico biocompatível e sustentável. “O PLA é basicamente um termoplástico feito a partir de resíduos de milho e outros resíduos orgânicos”, explicou Leonardo.
Segundo Cauã, essa escolha teve um impacto direto na sustentabilidade e na qualidade do produto final. “O uso dos plásticos biocompatíveis nos ajudou muito a ver que será ainda mais eficiente não só no tratamento mas também quanto ao meio ambiente”.
Expectativas para a FEBRACE 2025
Após sua participação na MOBIPE, o trio agora se prepara para a FEBRACE 2025 com entusiasmo.
Para o professor e orientador Cristian Loch Leith Rolon, o trabalho dos estudantes é um reflexo do potencial de inovação e pesquisa do Colégio Semeador. “O Colégio Semeador tem um ambiente muito estimulante para quem gosta de inovar. Os professores incentivam bastante os alunos a pensarem fora da caixa e a irem além do conteúdo tradicional da sala de aula”, enfatizou o professor.
Para Yohan, o objetivo é aproveitar a experiência e buscar um reconhecimento nacional para o projeto. “Nós sabemos que há diversos projetos bons na FEBRACE 2025 e que a competição é sempre muito difícil, mas esperamos voltar com mais experiência e conhecimento”.
Leonardo declarou que o mais importante é o aprendizado e as possibilidades que o evento proporciona. “Embora estejamos mirando no prêmio, sabemos que só a participação em um evento dessa importância já faz todo o esforço valer a pena. Voltaremos para casa com novos horizontes, sabendo e descobrindo coisas que jamais imaginaríamos”, finalizou.